sábado, 14 de novembro de 2015

Meditari



  


C. S. Lewis em seu escritório.





Representação do leão Aslam de "As crônicas de Narnia" de autoria de Lewis.



                 Clive Staples Lewis ou como tornou-se mundialmente conhecido C. S. Lewis nasceu em Belfast, capital da Irlanda do Norte, no Reino Unido, em 29 de Novembro de 1898 e é considerado um dos gigantes intelectuais do Século XX tendo criado uma ampla produção literária tanto no campo da ficção (concebeu por exemplo o mundo e a saga das crônicas de Nárnia, recentemente ainda mais popularizada nos cinemas), como na  poesia e na crítica histórica e literária, bem como seus livros filosófico-teológicos posteriores à sua conversão ao cristianismo. Lewis foi professor universitário de língua inglesa na Cambridge University e na Oxford University, sendo esta ultima, local onde fez parte de um grupo de altos acadêmicos (The Inklings), o que agudou ainda mais sua obra e o fez voltar sua atenção para o Cristo que havia abandonado na adolescência quando tornara-se um ateu convicto apesar de ter sido criado dentro de uma vida religiosa na igreja da Irlanda. 
               Foi a partir de conversas com dois colegas dos Inklings, J. R. R. Tolkien (O senhor dos anéis) e Dyson acerca da natureza e simbolismo do real nos mitos que Lewis convenceu-se primeiro de que o cristianismo era um mito verdadeiro, mais tarde, "ultrapassou" da crença em Deus (teísmo) para a crença em Cristo e, por fim, para a crença na divindade de Cristo. Os amigos Lewis e Tolkien criam intensamente na relevância dos mitos ("... um mito é uma história que transmite coisas fundamentais em outras palavras.")*para se ter uma percepção mais ampla para além da realidade, para se ver as estruturas mais profundas das coisas. Não à toa, ambos desenvolveram uma vasta e complexa obra de ficção fantástica (As crônicas de Nárnia e O senhor dos anéis) que extrapola a simples classificação de fantasia ou literatura infanto-juvenil. Ambas estão permeadas de profundas metáforas e símbolos que tocam ao homem e o mundo em que vivemos por entre seus poderosos e fascinantes mitos.
               C. S. Lewis foi extremamente relutante até completar-se seu processo de conversão ao cristianismo, mas, depois de compreender a Cristo como Senhor e Salvador pessoal, tornou-se um dos mais brilhantes apologistas do cristianismo desde sua época até hoje. Sua obra apresenta algumas das mais bem estruturadas defesas da verdadeira fé cristã, são textos ao mesmo tempo de densidade e de clareza, sendo que seus livros refletindo a vida e o caráter cristão estão em fiel conformidade com a Bíblia, o testamento de Deus para a humanidade. O cristianismo é na obra posterior de Lewis uma lição de conduta natural e real voltada para seres reais ao mesmo tempo espantosamente frágeis e potencialmente impressionantes. Durante sua vida, Lewis foi professor, escritor, romancista, poeta, ensaísta e crítico literário (literatura medieval e renascentista). Em meio aos horrores da Segunda Guerra Mundial, o povo britânico extremamente ferido em seus corações e sem esperança foi ricamente acalentado por uma  série de preleções de rádio através da BBC (British Broadcasting Corporation), feitas por Lewis, onde ele falava dos contrastes do mundo presente, de dualidades, da fé cristã e da conduta do cristão. Essas apresentações, resultaram em seu livro mais aclamado no mundo, Cristianismo Puro e Simples, e, o que se pode dizer a respeito da importância/relevância desse livro para os cristãos é um 'singelo' vocábulo: fundamental.
  Disse C.S. Lewis sobre o sentido visto por ele e  impresso no título do livro:
[ O cristianismo puro e simples ] é como um saguão no qual há muitas portas para diferentes salas. Se eu conseguir trazer alguém para esse saguão, terei feito o que pretendia fazer. Mas é nas salas, não no saguão, que há lareiras, cadeiras e refeições. O saguão é um lugar de espera, um lugar em que se pode tentar abrir uma dentre várias portas, não um lugar para se viver.

 Outras reflexões presentes na obra de Lewis

 Lewis e a visão de um mundo disputado por um dualismo de forças espirituais concorrentes.
O cristianismo concorda com o dualismo em que o universo está em guerra, mas discorda que seja uma guerra entre forças independentes. Considera-a antes uma guerra civil, uma rebelião, e afirma que vivemos na parte do universo ocupada pelos rebeldes. Um território ocupado pelo inimigo – assim é este mundo. O Cristianismo é a história de como o rei por direito desembarcou disfarçado em sua terra e nos chama a tomar parte numa grande campanha de sabotagem. Quando você vai à igreja, na verdade vai receber os códigos secretos mandados por nossos amigos: não é por outro motivo que o inimigo fica tão ansioso para nos impedir de frequentá-la. Ele apela à nossa vaidade, preguiça e esnobismo intelectual. Sei que alguém vai me perguntar: ‘Você quer mesmo, na época em que vivemos, trazer de novo à baila a figura do nosso velho amigo, o diabo, com seus chifres e seu rabo?’ Bem, o que a ‘época em que vivemos’ tem a ver com o assunto, eu não sei. Quanto aos chifres e ao rabo, não faço muita questão deles. Quanto ao mais, porém, minha resposta é ‘sim’. Não afirmo conhecer coisa alguma sobre a aparência pessoal do diabo, mas, se alguém realmente quisesse conhecê-lo melhor, eu diria a essa pessoa: ‘Não se preocupe. Se você realmente quiser travar relações com ele, vai conseguir. Se vai gostar ou não dessa experiência, isso é outro assunto.
Cristianismo puro e simples.

Lewis e a condição inerente ao amor.
 Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo à ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar - ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno.
Os quatro amores.


” Nenhum homem sabe quão mau ele é, até que ele tenha tentado de toda maneira ser bom. Uma ideia tola, mas muito atual é que as pessoas boas não conhecem o significado ou não passam por tentações. Isto é uma mentira óbvia. Só aqueles que tentam resistir a tentação, sabem quão forte ela é. Afinal de contas, você descobre a força do exército inimigo lutando contra ele, não cedendo a ele. Você descobre a força de um vento, tentando caminhar contra ele, não se deitando ao chão. Um homem que cede ante a tentação depois de cinco minutos, simplesmente não sabe o que teria acontecido se tivesse esperado uma hora. Esta é a razão pela qual as pessoas ruins, de certa forma, sabem muito pouco sobre sua maldade. Elas viveram uma vida abrigada por estarem sempre cedendo. Nós nunca descobrimos a força do impulso mal dentro de nós, até que nós tentamos lutar contra ele: e Cristo, porque Ele foi o único homem que
nunca se rendeu a tentação, também é o único homem que conhece completamente o que tentação significa–o único realista no total sentido da palavra”.

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Perdão e Desculpa são duas palavras tão banais no uso, que nem desconfiamos da diferença entre elas. Em um certo sentido, Perdão e Desculpa são palavras quase opostas. O Perdão nos diz "ok, você fez isso, mas eu aceito seu pedido de perdão; não jogarei isso na sua cara e seremos do mesmo jeito que éramos antes". Já a Desculpa, fala "eu percebo que você não podia evitar, sei que realmente você não queria fazer isso; você não é culpado". Assim, um ato falho sem culpa precisa de desculpa, e não de perdão. Da mesma forma, boas desculpas não precisam de perdão - já que o perdão exige culpa - e se você quer ser perdoado, não há desculpas para o que fez - pois pedir perdão é assumir a culpa.
Porém, isso não invalida a possibilidade de haver os dois ao mesmo tempo. O problema está em pedirmos desculpas para aquilo que exige perdão.
C.S. Lewis

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Uma vez perguntaram para Lewis: “É necessário frequentar um culto ou ser membro de uma comunidade cristã para um modo cristão de vida?”

Sua resposta foi a seguinte: “Esta é uma pergunta que eu não posso responder. Minha própria experiência é que logo que eu me tornei um cristão, cerca de quatorze anos atrás, eu pensava que poderia me virar sozinho, me retirando a meu quarto e lendo teologia, e não frequentava igrejas ou estudos bíblicos; e então mais tarde eu descobri que era o único modo de você agitar sua bandeira; e, naturalmente, eu descobri que isso significava ser um alvo. É extraordinário o quão inconveniente para sua família é você ter que acordar cedo para ir à Igreja. Não importa tanto se você tem que acordar cedo para qualquer outra coisa, mas se você acorda cedo para ir à igreja é algo egoísta de sua parte e você irrita todos na casa. Se há qualquer coisa no ensinamento do Novo Testamento que é na natureza de mandamento, é que você é obrigado a participar do Sacramento e você não pode fazer isso sem ir à igreja. Eu não gostava muito dos seus hinos, os quais eu considerava poemas de quinta categoria com música de sexta categoria. Mas à medida em que eu ia eu vi o grande mérito disso. Eu me vi diante de pessoas diferentes de aparência e educação diferentes, e meu conceito gradualmente começou a se desfazer. Eu percebi que os hinos (os quais eram apenas música de sexta categoria) eram, no entanto, cantados com tamanha devoção e entrega por um velho santo calçando botas de borracha no banco ao lado, e então você percebe que você não está apto sequer para limpar aquelas botas. Isso o liberta de seu conceito solitário."
C.S. Lewis



Fonte bibliográfica de apoio: A vida de C. S. Lewis_ Do ateísmo às terras de Nárnia /  Alister McGrath_ Editora Mundo Cristão



Um comentário:

  1. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
    Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?
    Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.
    Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.
    Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
    João 8:32-36

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