O estudo das parábolas da Bíblia o contrário da crença popular que lhes reputa uma singeleza e facilidade assimilativa, exige do leitor do texto sagrado mais que uma leitura atenta e pormenorizada. É verdade que os ouvintes da época tinham grande familiaridade com os cenários e contextos apresentados por Jesus em suas parábolas, algo que muitas vezes os fazía com que se identificassem com as mesmas. Entretanto, o próprio Jesus alertou aos seus discípulos acerca de um sentido real escondido nas parábolas vedado áqueles que tem no coração um bloqueio para ver o Verdadeiro Cristo em Jesus (Mt 13,10-15), para esses, as parábolas bem como todo o texto bíblico, não passarão de uma coletânea de preceitos morais, pacifistas e comunitários.
O leitor moderno das parábolas precisa lançar mão de vários "fios" das ciências da interpretação textual, para vencer as barreiras histórico-culturais e reencontrar o sentido e o propósito original do texto, a intenção nas palavras pronunciadas por Jesus. A parábola do filho pródigo é uma das narrativas mais conhecidas de todos os tempos, e, muito se faz uso dela no cotidiano como um dito proverbial, mesmo conhecendo-se a apenas superficialmente. Este breve texto não se propõe a fazer uma exposição técnica do método correto de interpretação, apenas quer fazer ecoar um humilde extrato da mensagem comunicada por Jesus (Lc 15,11-32), pois muito acima de sua beleza literária, a mensagem do amor de Deus refletida nela tem tocado corações e transformado pessoas através dos séculos.
Devemos inicialmente apontar que seu título, que é uma inserção posterior e não pertencente ao texto original, oferece uma informação imprecisa e digna de correção. É certo que o personagem (o filho) em foco tem em si o espírito de prodigalidade, mas, para melhor compreendermos o texto como metáfora do amor de Deus melhor sería chamarmos a ela de "parábola do filho perdido" ou ainda, expandindo nossa leitura, " a parábola dos dois filhos perdidos", uma vez que é isso que vamos encontrar lendo-a por inteiro e sem privilegiar um personagem em foco. O abandono ao lar e da guarda do pai pelo filho mais novo, vai além de uma rebeldia que grita por independência hierárquica e financeira. Em sua época, tal gesto equivaleria a desejar alto e publicamente a morte do pai; repudiar sua governança e sua bênção. Isto não só chocou ao pai, mas, calou-lhe e o paralizou. Da mesma forma isto ocorreu ao filho mais velho. O esbanjamento e desperdício dos bens por parte do filho por sua vez não deve causar estranheza, pois isso é o habitual a todo aquele que promove a licenciosa pilhagem do patrimônio limpo e da reputação sem a bênção paterna. Quando o filho novo agora desfigurado e nu cai em si, está na mais humilhante condição social possível a um judeu, cuidando e disputando sobras do alimento dos porcos, os animais mais impuros por eles considerados. O arrependimento vem somente na situação limite e ultima de degradação moral. De regresso à casa do pai, o filho não busca mais os privilégios e a condição de outrora, tão somente deseja trabalho e pão. Não é isso no entanto, que ele encontra e recebe de seu pai mais uma vez, agora de alegria, chocado. Vestimenta e a dignidade de outrora lhes são restituídas sem que ele tenha espaço para sequer falar,. Mais que explicações ou pedidos de perdão prolongados ao pai interessa o retorno do filho como um resgate de entre os mortos. Surpreendentemente, surge em cena a revolta incontida e desmascarada do filho mais velho, que alega sua constante permanência ao lado e sob a orientação do pai reclamando para si em detrimento de seu irmão "problemático" os privilégios e o usufruto livre do patrimônio do pai. Na revolta do filho mais velho deparamo-nos com a triste revelação de que não um só, mais os dois filhos desse pai estavam na verdade distantes dele, em oposição ora aberta, ora silente à sua vontade e sua governança familiar.
Muitas vezes a revolta dentro de uma família, de um filho contra a liderança do pai é constante e perceptível. Para essas é mais fácil oferecer julgamento e sentença. Mas, aquelas revoltas ocultas e silenciosas quando expostas recebem uma condescendência e certa indulgência pelo fato de terem sido mantidas em resguardo. Mas, qual delas provoca na verdade as maiores feridas no seio da família, uma vez que aquilo que está segredado no coração acaba por influenciar e nortear as ações de todo e qualquer ser humano? Qual delas causa a mais intensa dor à quele que sonda e conhece todos os pensamentos e intenções do homem?__ Muito além da importância e necessidade de encontrar as respostas, e corrigir entendimentos e condutas, é salutar saber sem dúvidas que Deus, esse pai refletido na mensagem é sobretudo amoroso e rico em misericórdia, perdoador sem medidas que vê o que ninguém mais vê, a genuína expressão do que está no coração, que deseja ouvir o perdido de perdão derivado do verdadeiro arrependimento, mas, que antes de qualquer palavra ou som nos sair da boca já o encontraremos de braços incontidamente abertos. _____________________ Lendo e ecoando Kenneth Bailey e Simon J. Kistemaker.

Parabéns, que Deus lhe abençoe e seja a fonte de toda inspiração.
ResponderExcluirAmém!
ExcluirInfinito é o amor do nosso Deus.
ResponderExcluirirmão Marcio gostaria muito de pedi sua ajuda sobre um estudo a que na nossa escola bíblica sobre a decida do Espírito Santo em Mateus,3,13-17.sabemos que Jesus não tinha pecado, foi batizado por João para nos da um Exemplo do batismo; mais a pergunta é desceu o espírito santo sobre Jesus,mais jesus sendo filho de Deus já não tinha o espírito santo com ele.gostaria se não for incomoda o irmão que o irmão mim faça um comentário sobre o assunto. que o Senhor abençoe sua vida e todos de sua casa e família. a graça e a paz esteja sempre com você
ResponderExcluirNa verdade irmão Miguel, o episódio da descida do Espírito Santo deve ser entendido à luz de Isaías 42.1-4, quando se diz que sobre o Servo prometido é posto o Espírito de Deus para que por ele venha a justiça(justiça do Reino) e o ano aceitável do Senhor. Quando entendemos Jesus, o homem como o Servo, é necessário o anúncio dos céus revestindo-o com a autoridade histórica, ou seja, proclamando-o publicamente como o representante de Deus para cumprir o seu plano de salvação. A descida do Espírito Santo não transforma Jesus em Deus filho, ele sempre foi cem por
ResponderExcluircento Deus; A voz do Espírito inaugura o período de ministração do Servo que ao mesmo tempo é o Cristo. Não creio que seja correto afirmar que Jesus possuía o Espírito Santo, pois eles são ao mesmo tempo junto com o Pai, partes de um mesmo 'Ser'; Estas três pessoas divinas agem simultaneamente, e, uma delas pode agir em nome de outro.