sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Uma proclamação irrelevante

   
    A proclamação do Evangelho não pode nem deve ser lançada por sobre "os de fora" como uma oferta de indulgência barata e uma carta branca de acesso à comunhão dos santos resgatados do pecado por Cristo em condição que venha confundir a Igreja com o mundo. A  boa notícia do Cristo redentor para o homem deve receber a mais alta paga por parte deste, pagamento como expressão de submissão espiritual, porquanto seja ela o testemunho fiel da salvação  única e graciosa de Deus.    
    Nisto, é extremamente reprovável que na voz de evangelistas, os mais notáveis entre si, em muitos momentos da história, o Evangelho tenha sido publicamente proposto ás multidões de maneiras tão distintas  e  como um sistema de crenças e rituais litúrgicos indutivos humanisticamente dispostos, e , assim, ensinado uma corrupção daquilo que o próprio Cristo nos legou. É fato que existe no meio cristão uma crescente compulsão por submeter o testemunho bíblico a malabarismos de interpretação e distorções de método para tornar o Cristo salvador e senhor numa espécie de servidor e saciador das vontades do homem; um Cristo desprovido da função de juízo e justiça. Prédicas plenárias e abertas sem qualquer fundamento bíblico, tais como: "Jesus está à porta, abra e receba-o." e "Jesus quer salvar-lhe hoje, aceite-o agora", como outras tantas, são oferecidas às multidões como experiência de salvação real do pecador, mas, só desfiguram ao Cristo de Deus e o tornam um mendicante que oferece gratuitamente aos pés dos homens um tesouro ignorado. Além de  questionável método de apresentação do plano salvífico divino, estudos e pesquisas mostram que igrejas que adotam esta prática ou variantes do método popularizado por Charles Finney, não alcançam fidelidade ou membresia daqueles que foram persuadidos a dizer sim para esses constrangedores convites. Neste sentido, R K McGregor Wright em seu livro ' No place for sovereignty' informa que  em determinada denominação evangélica dos Estados Unidos, apenas 9% dos adultos responderam a levantamento dentre seus batizados, afirmavam ter se unido à igreja por razões espirituais. Mas, talvez, nem seja necessário recorrer a estudos e pesquisas para verificar tal fenômeno. Isto é claramente observável aos mais atentos que acompanham o progresso de pessoas que respondem ao apelo cultual, passando por sua permanência ou não na igreja e o efeito de regeneração e mudança de mente produzido em suas vidas por esta pretensa forma de discipulado.  Um problema realmente maior para a igreja não é acerca dos que não permanecem, mas, dos que permanecem sem ser.
         E, é num cenário assim onde o Evangelho não intervém como abolição do pecado e por outro lado, se oferece um placebo contra a angústia do ser que se confirma a célebre sentença de Spurgeon:_"Chegará um dia em que no lugar de pastores, haverá palhaços a entreter os bodes".  No Brasil ocorre um mascarado processo de esvaziamento da fé genuína. Ocorre o que outrora aconteceu em lugares onde o Evangelho agoniza, uma espécie de bolha inflacionária irreal de crescimento do número de cristãos que nada produzem ou transformam na sociedade, prestes a ser implodida e revelar sua triste e contraditória face verdadeira.
        A pública proclamação das boas novas do Reino não pode nem deve ser, subjugada pelo corrosivo hedonismo pós-existencialista que penetrou e assentou-se adentro em lugar de honra, não pode nem deve, jamais abrir mão da premissa inegociável de arrependimento dos pecadores, uma vez que a mensagem de Cristo não conclama simpatizantes para seu convívio, mas, sobretudo, chama eficaz e irresistivelmente esses mesmos pecadores à rendição redentora que só n`Ele habita.  
                                                                                      

3 comentários:

  1. A proclamação do evangelho deve chamar pecadores ao arrependimento, como já ouvimos: "Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. Rm 6:22-23.

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    1. Percepção correta. A santificação é passo posterior a ser ensinado pela igreja que já verifica em sua membresia condições necessárias para receber o discipulado.

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  2. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.
    Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.
    Marcos 16:15,16

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