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| Francisco de Assis |
Nascido em 5 de Julho de 1182 na pequena cidade de Assis na região de Umbria, província de Perúgia na Itália, o jovem Giovanni Pietro di Bernardone, também conhecido como Francisco de Assis, ou ainda, mais tarde, São Francisco de Assis, filho do próspero comerciante pietro di Bernardone e de Pica Bourlemont, era um apaixonado pelas histórias heróicas de cavalaria e pela vida dos cavaleiros combatentes de sua época. Carismático e estimado por muitos jovens como ele, estava sempre cercado de muitos. Logo aos 16 anos de idade alistou-se e ingressou nos exércitos locais em uma campanha militar contra nobres opositores onde presenciou os horrores da guerra, e, por fim, acabou por ser apanhado em prisão como refém sob espera de negociação de resgate mediante pagamento por cerca de um ano até que fosse liberto.
Apesar de no cárcere ter adquirido uma renitente debilidade física visual e digestiva que o acompanhou por toda a vida, ao se reintegrar a vida social de Assis levava uma agitada vida de excessos e dissolução e, tão logo pôde, regressou ao campo de batalha, desta vez nos exércitos papais. Nesse retorno entretanto sua vida começou a sofrer um revés, quando teve a primeira de muitas e sucessivas experiências de espiritualidade e contemplação onde teria ouvido uma voz que o constrangia a mudar de vida e buscar o caminho das obras concernentes ao Reino de Deus e principalmente restaurar a Igreja de Cristo. Depois de novamente retornar a Assis, Francisco se despojou de tudo o que tinha e saindo de casa, iniciou uma ordem de frades pregadores itinerantes que abalou o cenário da igreja por onde passava e conferiu ao humilde homem de Assis fama e uma reputação inabalável até os dias atuais.
Os cânticos compostos por Francisco de Assis exaltam a natureza como um todo; todas as criaturas de Deus integradas e harmonizadas como o esplendor de sua presença e como figuras ajuntadas num "baile" que celebra a glória do Criador; estimulam o homem à contemplação e meditação profundas, a fim de promover a sua integração fraterna como a espécie magna sobre quem repousa a mão soberana de Deus.
Cântico do irmão Sol / ou / Cântico das criaturas
Altíssimo, todo-poderoso e bendito Senhor!
A ti são devidos os louvores, a glória,
a honra e toda a sorte de bênçãos.
Somente a ti, ó Altíssimo, são devidos,
e nenhum ser humano é digno de falar contigo.
Louvado sejas, Senhor, com todas as tuas criaturas,
principalmente pelo irmão Sol
por meio de quem somos iluminados todos os dias,
pois ele é sereno e radiante de grande esplendor
e reflete tua semelhança, ó Altíssimo.
Louvado sejas meu Senhor, pela irmã Lua e as estrelas.
Tu as estabeleceste no céu, preciosas, serenas e brilhantes.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento
e pelo ar, nuvens, céu e toda a atmosfera,
por meio dos quais dás vida a todas as tuas criaturas.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,
pois ela é útil, humilde, preciosa e pura.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo.
Por ele somos iluminados à noite
e ele é sereno, agradável, robusto e forte.
Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, mãe terra.
Ela nos sustenta e governa,
produz muitos frutos e plantas e flores coloridas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelos que foram perdoados por teu [amor,
que estão enfermos e em tribulação;
benditos são os que sofrem em paz,
pois, por ti, ó Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã morte física,
de quem nenhum ser vivo escapará.
Ai de quem morre em pecado mortal,
mas benditos são os que se encontram em tua santa vontade,
pois a segunda morte não lhes causará dano algum.
Bendiga e louve eu a ti, meu Senhor, e te dê graças
e sirva-te com grande humildade.
Francisco de Assis

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