sábado, 5 de setembro de 2015

Seu amor vem de onde?


                Por que você ama seu cônjuge?  Por que você ama aquele grupo formado pelos seu amigos mais íntimos? Por que você ama seu bichinho de estimação ou, ainda, por que nutre o mesmo sentimento de afeição por seus objetos colecionáveis, sejam eles livros, brinquedos, peças de decoração ou outros tantos??? Por que afinal, você alimenta um quase animal e selvagem sentimento de necessidade de proteção e isolamento do meio, por sobre tudo e por sobre todos que são abarcados por seus braços e  de alguma forma separados da influência e da  "contaminação alheia"?_ Todas estas questões podem extrair daquele que é inquirido uma grande variedade de respostas autojustificáveis e que merecem o louvor dos outros porque toda e qualquer resposta acerca do amor, em algum sentido, é uma resposta de amor.
                Se nos depararmos com a reflexão proposta por Jonathan Edwards em sua magnífica obra Charity and its fruits, um estudo sobre o amor em 1Coríntios 13 recentemente traduzido e publicado no Brasil, talvez seremos surpreendidos e abalados em nossas impressões e convicções.  Edwards, o mais brilhante e um dos mais proeminentes teólogos já nascido nos EUA vai reunir todas as nossas expressões de sentimento e resumir a nossa própria definição de amor como um sentimento fundamentado e baseado no amor próprio e no egoísmo. O amor que exercitamos e que até incentivamos nos outros só nos é justificável ou válido, porque atende e semeia futuras respostas às nossas necessidades pessoais de receber de volta aquilo que atribuímos ou doamos aos outros. Dessa forma, pensando a partir de Edwards, a resposta apresentada à todas as questões que inicialmente propomos aqui, ganha um novo  e chocante viés que talvez até relutemos em aceitar, mas, que é a mais condizente com a nossa natureza decaída desde Adão e que não se altera em imediato necessariamente com o novo nascimento.
             Amamos família, amigos, animais de estimação e objetos, porque eles nos permitem a sensação de pertencimento; porque por sobre eles, podemos lançar a noção de propriedade que se evidencia na sentença pronominal meu (minha); porque deles extraímos o fruto de nossas expectativas amorosas, ou seja, amamos para ser por eles amados de volta. O ser humano habita um nicho particular entre toda a restante criação divina e o próprio Deus. Julgamo-nos e somos de fato, superiores a quaisquer outros seres, o próprio Deus assim afirma, mas, julgamo-nos e não somos ou possuímos o mesmo tecido de sentimentos que o Criador unicamente comporta. Ainda que criados à Sua imagem e conforme a Sua semelhança, a desgraça do pecado nos afetou de forma avassaladora e definitiva que só o amor singular de Deus foi capaz de providenciar escape da condenação e prover caminho de restauração de nossa natureza. O amor divino, este sim, é santo e livre de condicionais, uma vez que nós mesmos provamos do seu amor a despeito de quem somos e do que apresentamos. Talvez devamos  nos auto-examinarmos sem censura ou constrangimento externo, num exercício de confrontação de nós mesmos e de meditação que envolva apenas o Espírito em nós invocado em oração e súplica, a fim  de crescermos de fato como cristãos os quais professamos ser, mas, que negamos ou subjugamos por nossas ações. Um dos maiores males que assolam ao pensamento do Homem, seja ele religioso ou não, é o elevado conceito de si mesmo, a protuberante autoprojeção de sua imagem. Deve causar em nós escândalo e alerta, se somos capazes de amar a humanidade em nossas convicções, mas, somos ineptos para amar o próximo que reside ao lado. Necessitamos vitalmente aprender do amor divino disposto na Bíblia e abundante no relacionamento meditativo com Deus que dispomos por meio da oração. A história da humanidade é pródiga de exemplos de homens e mulheres que depois de serem tomados em vida para o serviço de Deus dedicaram seu tempo e sacrifício em favor dos outros sem lançar sobre eles quaisquer expectativas que não fossem o louvor da glória de Deus.Todos os apóstolos e discípulos de Cristo que ao lançarem as bases fundadoras da igreja, o corpo de Cristo, foram o instrumento da mão de Deus na Terra; Todos os mártires da igreja que com seu sangue derramado testemunharam do amor de Deus e ofereceram força e suporte espiritual aos perseguidos de todas as épocas; todos aqueles que sofreram perseguição, encarceramento e tortura em favor de que a Bíblia, a Palavra de Deus, chegasse às mãos de qualquer pessoa, e tantos outros exemplos. 
             Não que esteja aqui sendo proposto pelos ricos exemplos de outros santos de Deus ou imposto para nós uma vida  de condições semelhantes, mas, eles devem nos constranger em nossas mais simples formas cotidianas de vida  a sermos doadores que não esperam recompensa, seja ela para agora ou para o porvir, pois aquele que visa o galardão de Deus pode incorrer na culpa de considerar Deus como devedor seu. Além do mais, procure lembrar de alguma ocasião em que você se sentiu constrangido a fazer o bem a alguém e de fato o fez. Sem dúvida, a sensação que veio sobre você em sequência foi boa e você foi capaz de dizer, "melhor coisa é dar do que receber". Não se surpreenda você fez isso com motivações, ainda que escondidas, que continham sentimentos egoístas de receber algo em troca depois. No momento em que entretanto, você passar a fazer isso de maneira que seus sentidos consigam capturar apenas a necessidade dos outros e visualizar como objetivo o caminho que Deus certamente lhe propõe naquele instante, certamente você terá encontrado a expressão  do amor de Deus designada para você, as boas obras anteriormente preparadas à sua vida a fim de que você as execute.__"Aquele que afirma que permanece n'Ele, deve andar como Ele andou" 1João 2.6.   

2 comentários:

  1. Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. 1 João 3:16.

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  2. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.
    I Co 13.13

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