Alguma vez em sua vida, em culto público ou em seus devocionais privados você dedicou a Deus oração de gratidão e louvor por qualquer espécie de tribulação ou provação pela qual tenha passado ou estivesse passando? Ainda que não tenha chegado a tal ponto, pelo menos reconheceu sincera e confiantemente em meio a solidão do sofrimento que a mesma situação correspondia a vontade soberana de Deus para sua vida, e, que por alguma razão ora oculta, aquilo seria o melhor, ou redundaria em um bem maior para você?
Bem improvável não?_ Mas, a Bíblia Sagrada está abundantemente carregada de exortações e lembretes de Deus que tendem a nos direcionar a esse entendimento. Em todo o decorrer da narrativa sagrada ocorre sobre a vida dos mais diversos servos de Deus situações de sofrimento, privação e tragédia; a história posterior que nós conhecemos também mostra inúmeros casos de homens e mulheres que tiveram a vida associada a grandes aflições e flagelos e, não por motivações de caráter efêmero, mas, justamente por defenderem no mundo a causa do Evangelho de Deus. Entretanto, somos como que presos a ideia de de que a bênção de Deus deve nos acompanhar constantemente a fim de nos preservar daquilo que julgamos não merecer e que é castigo devido aos ímpios. O livro do Eclesiastes que possui uma temática que pode se nos parecer incompreensível ou amarga, mostra que o mal, as coisas más, assim como o bem ou as coisas boas em se tratando dessa esfera de vida na qual ainda estamos ligados, podem suceder tanto aos justos quanto aos ímpios; o mundo em que vivemos é um "palco" onde os ímpios encarnam todo o seu vigor e potencialidades pelos quais dão prova do merecimento de serem condenáveis diante de Deus, enquanto para os justificados em Cristo, é uma "coxia" onde ensaiam até a ultima hora e aprendem acerca de seu verdadeiro papel perante a face de Deus. O mesmo livro tem por uma de suas principais funções, fazer que seus leitores compreendam que deve-se resistir a ideia da sabedoria humana confrontando-a com a sabedoria de Deus, e, buscar a sabedoria divina não como um fim em si mesma, mas, como um meio que glorifique a Ele e nos conduza ao seu encontro.
Um episódio que mostra-nos um grande desvelar da temática do sofrimento e de como ele deve ser não só acolhido, mas honrado como algo que vem da mão do Altíssimo, propósito e vontade de Deus para nossas vidas pode ser encontrado no livro de Jó; quando depois de perder repentinamente todos os seus bens e filhos e, sendo ele tido com homem justo em toda a sociedade de sua época e no conceito do próprio Deus, ele se prostra com o rosto à terra e declara: "... saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei, o Senhor o deu , o Senhor o levou, louvado seja o nome do Senhor." Jó. 1. 21. A declaração de Jó com certeza está carregada de dor, ela não esconde a devastação de sua alma. Mas em tudo isso, diz a Bíblia, Jó não pecou e não culpou Deus de coisa alguma. Ou seja, Jó não afirma que Deus tem dolo algum em permitir ou mesmo determinar aquele flagelo sobre ele, nem aquilo é motivo para rebelar-se contra sua soberana vontade. A grande renovação de entendimento que a resposta de Jó nos traz é com certeza uma redefinição do conceito de bênção ou um alongamento dele, não somente como algo bom em seu fim imediato, mas, como algo até ora amargo com o fim ultimo de grande recompensa.O que acontece nos capítulos posteriores no desenrolar da história, é que Jó irá contender com Deus não como quem repudia por completo a sua sorte, mas, no sentido de trazer para si uma resposta para tal trajetória e pelo menos pacificar seu coração. Jó não alcança essa resposta e, ainda que ao fim do livro receba de volta tudo o que lhe tinha sido tirado, e em porção dobrada, o patriarca cuja vida as vezes se confunde com o tema do sofrimento entende como sua maior lição, o fato de que ele como qualquer homem, não pode suportar ou assimilar as coisas concernentes ao conhecimento e conselho de Deus; tal tentativa será sempre esforço vão e fadado ao fracasso, mas, é certo que os planos de Deus para o seu povo são maravilhosos e ele, o seu povo, é objeto maior do amor do pai.
Para aqui concluir mas não esgotar o debate, a carta de Tiago, o irmão do Senhor, em seus versos iniciais prescreve: "Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança,. E a perseverança deve ter ação completa, Afim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma." (Tg. 1. 2-4)_ Essas palavras continúo a afirmar, são difíceis de serem levadas a termo, difícil coisa é colocá-las em prática de maneira fiel e verdadeira conservando inabalável a esperança e fé, mas, elas devem provocar em nós o sentido e a prática da oração a Deus como alvo de nosso louvor e buscar evocar a sua permanente provisão de força espiritual sobre nós a fim de nos sustentar na caminhada mais dolorosa. Também a nossa oração deve ser sincera ao ponto de evocar a mão acalentadora de Deus para que até o momento do escape, sejamos capazes de prestar testemunho digno de Deus ao mundo e abençoarmos ao nosso irmão em semelhante condição. Não quero aqui "vender" uma ideia de super espiritualidade que não se abala nem sob a mais severa das penas, pois a expressão digna da fé de alguém se desfaz quando ele argumenta com Deus declarando suas aflições e sua agonia, ele pode sim fazê-lo no sentido de buscar em Deus razão para o sofrer de um justo pois, isso lembra diante de Deus uma das mais poderosas realizações de seu filho Jesus em favor do homem; isso é uma declaração de fé enquanto remete o homem à justificação em Cristo, é certo que Deus agrada-se de ser louvado, mesmo que de forma não tão rigorosamente patente, mas, trazendo a tona uma sentença célebre do conhecido pastor John Piper: "Deus é mais glorificado em nós quando nos satisfazemos n'Ele".
Em síntese, mesmo que não recebamos de Deus a melhor conclusão para algumas passagens de nossa vida aqui no mundo, pois, muitas vezes isso não ocorrerá, as lições que podem ser apreendidas e aprendidas por nós sempre nos tornarão pessoas melhores no mundo e cristãos melhores diante de Deus, mais completos, menos falíveis e mais produtivos no trato com as boas obras que Ele de antemão nos preparou para que bem andássemos nelas.
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| Ilustração mostra o patriarca Jó cercado por seus "amigos" |

Amém! Parabéns, meu querido irmão... Vai ser muito bom participar do seu blog.
ResponderExcluirDeus te abençoe e te conceda mais e mais sabedoria derramada do trono da Sua glória.
Grande abraço.
Amém minha querida irmã, muito bom receber seu comentário e sua adesão. Que Deus te abençoe.
ExcluirParabéns! que o Senhor possa lhe abençoar e orientar sempre!
ResponderExcluirQue Deus possa NOS abençoar!
ExcluirNossa!!! Muito bom Irmão Márcio esse artigo,principalmente nos dias de hoje aonde muitos que se dizem cristão são egocêntricos.
ResponderExcluirVai ser muito bom participar di seu blog,obrigado, que o Senhor te abençoe grandemente em nome de Jesus.
Amém. Obrigado irmão Rejgillanio, deus o abençoe abundantemente.
ExcluirNossa!!! Muito bom Irmão Márcio esse artigo,principalmente nos dias de hoje aonde muitos que se dizem cristão são egocêntricos.
ResponderExcluirVai ser muito bom participar di seu blog,obrigado, que o Senhor te abençoe grandemente em nome de Jesus.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirLouvar-te-ei com retidão de coração quando tiver aprendido os teus justos juízos.Salmo 119.7
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