sábado, 3 de outubro de 2015

Meditari



Registro iconográfico representando o martírio de Inácio de Antioquia.

   

                  Inácio foi o bispo terceiro da cidade de Antioquia da Síria conforme nos informa o registro histórico de Eusébio de Cesaréia, apesar de Orígenes nos afirmar que ele tenha sido o segundo, foi discípulo de João, também teria tido contato com o apóstolo Paulo e sucedido ao apóstolo Pedro na igreja de antioquia. Ainda que tenha também nela nascido, o seu nome é de origem latina e carrega todo um simbolismo o qual por toda a sua vida ele encarnou; Igne (fogo) + natus (nascido)=  aquele que é nascido do fogo, e foi como um distintivo de sua própria identidade que Inácio conduziu essa chama internamente em sua vida; vida marcada por uma paixão abrasada por Cristo e pela proclamação de sua Palavra. 
                   O bispo Inácio nos deixou e ainda se preserva de sua obra algumas epístolas enviadas para igrejas e cristãos que viviam da região que ele pastoreava e de outras mais distantes, onde podemos ter contato com a orientação de um homem zeloso e rigoroso mas que se impõe pelo exemplo pessoal e pela rendição completa ao ministério o qual lhe fora confiado. Destaca-se de seus escritos, suas considerações acerca da trindade, da pessoa e obra do Cristo  Deus, da  reunião e unidade dos cristãos, além de ser ele, Inácio um dos pais da igreja em que vemos a menção e defesa do Domingo como o Dia do Senhor para os cristãos. Escreveu ele na epístola aos magnésios: "Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à Nova Esperança, e não observam mais o Sábado, mas o Dia do Senhor, em que nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por mio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre. Como podemos viver sem aqu'Ele que até os profetas, seus discípulos em espírito, esperavam como Mestre? Foi precisamente aqu'Ele que justamente esperavam, quem ao chegar, os ressuscitou dos mortos.
                   Foi preso e condenado pelo imperador Trajano a ser consumido por feras selvagens no coliseu romano, mas, para que também fosse um exemplo da intolerância de Roma pelos cristãos foi submetido a uma peregrinação forçosa e exemplar pelas cidades no caminho até a capital do império, o que por obra de Deus, acabou proporcionando-lhe o encontro e o testemunho diante de outros crentes. Conta a tradiçao da igreja, que acerca de seu iminente martírio teria publicamente declarado: "Sou trigo de Deus; que seja eu triturado pelos dentes das feras para tornar-me puro pão de Cristo".
                   Logo a seguir, lemos um pequeno extrato de sua pena, onde o ardente cristão de Antioquia nos convida a imitar a Cristo e sua paixão, na sua epístola aos romanos:
                  

                 Imitar a paixão de Cristo

Para nada me serviríam os encantos do mundo, nem os reinos deste século. Para mim, é melhor morrer para Cristo Jesus do que ser rei até os confins da terra. Procuro aqu'Ele que morreu por nós; quero aqu'Ele que por nós ressuscitou.Meu parto se aproxima. Perdoai-me,  irmãos. Não me impeçais de viver, não queirais que eu morra.não me abandoneis ao mundo, não seduzais com a matéria quem quer pertencer a Deus. Deixai-me receber a luz pura; quando tiver chegado lá, serei homem. Deixai que seja imitador da paixão do meu Deus. Se alguém tem Deus em si mesmo, compreenda o que quero e tenha compaixão de mim, conhecendo aquilo que me oprime.
O príncipe deste mundo quer arrebentar-me e corromper o meu pensamento dirigido a Deus. Que ninguém dos que aí estão presentes o ajude. Antes colocai-vos do meu lado, isto é, do lado de Deus. Não tenhais Jesus Cristo na boca, desejando, ao mesmo tempo, o mundo. Que a inveja não habite em vosso meio. Mesmo se eu estiver junto de vós e vos implorar, não vos deixeis persuadir. Persuada-vos aquilo que vos escrevo. É vivo que eu vos escrevo, mas com anseio de morrer. Meu desejo terrestre foi crucificado, e não há mais em mim fogo para amar a matéria. Dentro de mim, há uma água viva, que murmura e diz: "Vem para o pai". Não sinto prazer pela comida corruptível, nem me atraem os prazeres desta vida. Desejo o Pão de Deus, que é a carne de Jesus Cristo, da linhagem de Davi, e por bebida desejo o sangue d'Ele, que é o amor incorruptível.
                 

                                                                  Inácio de Antioquia / Epístola aos romanos

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