sábado, 17 de outubro de 2015

Meditari




                 
O gênio do barroco Johann Sebastian Bach ao órgão+








                  Johann Sebastian Bach foi, ou é um daqueles artistas cujo epíteto de gênio cabe com precisão e retrata com a estatura correta a sua obra composta e deixada como legado ao mundo. Nascido em 21 de março de 1685, na cidade de Eisenach, no Sacro Império Romano-Germânico, hoje  Alemanha, filho do musicista e professor de violão e viola Ambrosius Bach e de Maria Elisabeth Laemerhirt, o ainda infante Bach aos 10 anos de idade já havia se tornado órfão, mas também precocemente já mostrava aptidão pela música, principalmente tocando cravo e órgão. Com a ajuda de seu irmão mais velho que servia como organista da igreja de são Miguel, na cidade de Ohrdruf, além de aprimorar-se tecnicamente, entrou em contato com o musico, organista, professor e compositor proeminente do estilo barroco Johann Pachelbel, que era mestre deste seu irmão e tornou-se uma grande e definitiva influência para a obra de Bach.
                 Johann Sebastian Bach por algum tempo foi cantor em corais e procurou estar sempre ligado a outros músicos e compositores de sua época, ao mesmo tempo que estudava e se desenvolvia ao órgão, até que em 1701 começou a compor para esse instrumento. Ao passo que a adolescência transcorria, sua voz começou a apresentar as inevitáveis mudanças próprias da fase de desenvolvimento e maturação. Logo, passou para os instrumentos de corda retomando das lições ainda aprendidas junto ao pai. Bach percorreu durante sua vida por quase todos os gêneros musicais de sua época, até mesmo pode-se perceber em algumas cantatas de sua fase madura, uma sutil influência da Ópera, ainda que ele não tenha se aplicado ao celebrado gênero em específico. Bach é tido hoje quase que unanimemente como o maior expoente da música barroca, mas, os críticos contemporâneos de seu tempo não o víam com a mesma grandiosidade e louvor; foi reconhecido e destacado como um virtuose e um excelente luthier.
                  A obra de Bach é grandiosa e diversa tanto na área da música sacra quanto da dita secular, e se hoje pouco sabemos de sua produção para a igreja, isso se deve a uma ignorância cultural as vezes movida pela falta de estímulo á boa pesquisa, e, as vezes, por ignorância sustentada por preconceitos denominacionais que mais se assemelham ao sectarismo. Perdemos nisso, nós todos que deixamos de entrar em contato com a mais alta categoria da música, uma música que transcende o tempo e nos eleva a alma para lugares muito particulares e sublimes, enquanto distantes dela, cedemos e aceitamos o lixo mais vulgar da música popular e gospel. A respeito da obra e do significado e do sentido pretendidos nela os professores e escritores Edwin M. Yamauchi, Richard Pierard e Robert Clouse escreveram no livro Two Kingdoms: The Church and Culture Throughout the Ages (Dois Reinos: A Igreja e a Cultura Através das Èpocas*):____  Apesar de ter escrito várias peças importantes da música secular, para ele sua vocação estava a serviço de Deus e de sua igreja. Seu amor às Escrituras e à igreja traduziu-se numa fusão de fé, música, teologia e liturgia.Para ele, compor uma música era um ato de fé e tocá-la, um ato de adoração. Em suas grandes cantatas, oratórios, paixões, composições para órgão(...) ele pôs em prática essa percepção de chamado divino para criar uma música apropriada para o louvor a Deus. Ele colocava a história bíblica em forma de música a revelar a presença de Deus à congregação e proporcionar um diálogo com o Todo-Poderoso. Segue abaixo, um pequeno excerto da pena de Johann Sebastian Bach:


Oratório de Natal.
Número 7. Coral:

Pobre veio à terra,
quem saberá honrar como merece
o amor que nos oferece o nosso salvador?
Que Ele tenha piedade de nós
sim, quem compreenderá alguma vez
quanto lhe afetam os desgostos da humanidade?
Que a riqueza nos seja dada nos céus.
O Filho do Altíssimo descende à terra
porque deseja salvar os homens
e tornar-nos iguais aos seus anjos.
Por isso, Ele mesmo fez-se homem.
Senhor tem piedade!

Número 37. Recitação:


Emanuel, ó doce palavra!
Meu Jesus é meu pastor,
meu Jesus é minha vida,
meu Jesus deu-se a mim,
meu Jesus estará par sempre
ante meus olhos.
Meu Jesus é meu gozo,
meu Jesus conforta meu peito e meu coração.
Jesus, amado de minha vida,
prometido de minha alma,
Tu que deu a vida por mim, 
na amarga madeira da cruz!
Vem! Quero abraçar-te com alegria, 
meu coração nunca se separará de Ti!
Ó! Toma-me e leva-me contigo!



Jesus alegria dos homens (Jesus bleibet meine freude)


Jesus continua sendo minha alegria,
o conforto e a seiva do meu coração,
Jesus refreia a minha tristeza, 
Ele é a força da minha vida.
É o deleite e o Sol dos meus olhos,
o tesouro e a grande felicidade da minha alma.
Por isso, eu não deixarei ir Jesus,
do meu coração e da minha presença.


Mais abaixo dispomos um vídeo com a execução da majestosa "Jesus, alegria dos homens", pela orquestra do convento beneditino da cidade de Melk, na Áustria, sob a condução de Nikolaus Harnoncourt:



Há uma rica oferta de material videofonográfico expondo a obra de Bach pelo canal YouTube, o qual encorajamos você a experimentar.

* Tradução livre.
Bibliografia de apoio: Servos de Deus, espiritualidade e teologia na história da igreja./ Franklin Ferreira. Editora Fiel
+ Crédito da imagem: Museu britânico.




3 comentários:

  1. Verdadeiramente muitas músicas ditas gospeis são mais egocêntricas do que cristocêntrica.
    Deus te abençoe meu amado,cada vez mas.

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    1. Obrigado Irmão Rejgilânio, Deus o abençoe.

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    2. Parabéns, excelente texto sobre a vida e música de Bach.

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