segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Você sabe ... #7 Os Judaizantes




               









                  Os judaizantes foram grupos de neoconversos cristãos de origem judaica que ao aderirem à fé cristã e à nascente "comunidade do Caminho" ainda no primeiro século da era cristã, resistiram em abandonar as observâncias da Lei mosaica e as práticas rituais do judaismo no qual haviam nascido, e tentaram introduzi-las ao culto cristão . A igreja cristã estava sendo gestada com fervor e intrepidez, seu crescimento se dava por onde a Palavra de Deus era anunciada, mas, incidentes e controvérsias começaram a surgir logo dentro dela. Primeiro os próprios discípulos divergiram acerca da legitimidade ou necessidade de se anunciar a Boa Nova de Deus, Cristo aos gentíos, ou restringí-la ao povo judeu que herdara a fé de Abraão e já estavam integrados a um sistema religioso e de conduta. Esta polêmica discórdia suscitou o que conhecemos como o primeiro concílio da igreja cristã, o Concílio de Jerusalém (Atos 15). Tratada e resolvida a questão, decidiu-se pela universalização da proclamação da Palavra de Deus.
                 Entretanto, não tardou e sem demora, nova contenda surge: Os cristãos de origem judaica queríam constranger aos irmãos de origem gentílica a obedecer os preceitos do judaismo e impôr-lhes a circuncisão como necessária àqueles que se convertessem à fé comum do povo de Deus; também queriam preservar o calendário judaico, as festas religiosas, a dieta e a observância da Lei mosaica. Houve tal disputa (Gal. 2) até mesmo ríspida, que judeus identificados pelo apóstolo Paulo como falsos irmãos em Cristo resistiram aos discípulos/apóstolos de maneira áspera provocando até um incidente de dura repreensão de Paulo a Pedro, por este praticar uma conduta pessoal dúbia quando compartilhava da companhia e da mesa com os dois pólos da disputa. Paulo além de repreender a Pedro, expôs de forma incontestável a "Verdade do Evangelho", o Cristo da fé que justifica o pecador e por seu sacrifício encerra n'Ele a Lei que pesava sobre o homem. A deliberação da igreja em Jerusalém foi incontestável e vigorosa: A lei e todos os elementos litúrgicos do Antigo Testamento compunham o endosso da antiga aliança de Deus com o seu povo, eles eram sombras ou figuras prévias de Cristo; Ele é o ponto para onde conflui toda a Lei e todas as promessas da velha aliança. Cristo é a Nova Aliança, e, Cristo é a Lei em excelência, e por nossa obediência a Ele, satisfazemos a lei do amor que compraz a Deus.
                Creio que a tentativa de manter ou incorporar os elementos do Judaismo para dentro da igreja cristã primitiva pode e deve ser estudada e compreendida, apartir do conhecimento de todo o tecido histórico que contribuiu para essa defesa ferrenha da tradição judaica, ainda que nunca a justifiquemos em face do desvelar da verdade que revelou para nós o Cristo . Creio também, ser enriquecedor e qualificador da nossa fé, considerarmos toda a trajetória da nação de Israel na história, sobretudo, na sua caminhada durante os 400 anos de "silêncio profético" (tempo onde Deus não enviou revelação profética para seu povo), o chamado período intertestamentário. Quando Israel vivia esse período, a nação instituida por Deus já estava impregnada de uma miscelânea de elementos estranhos à Escritura, desde os membros do comando de governo, passando pelo templo com seus sacerdotes, até o povo. Isso era um reflexo das invasões sofridas e as culturas pelos  invasores transmitidas e assimiladas pelos israelitas. A ausência da voz profética de Deus por sua vez, ofereceu espaço para crenças extraordinárias fortemente influenciadas por rudimentos místicos e filosóficos oriundos principalmente da teodicéia grega, e, muito dessas crenças foi ensinado como fundamentos auxiliares ou complementares aos livros da Lei e do testemunho dos profetas; também nesse momento, as sinagogas, que eram os santuários que substituiam ao Templo destruído exerciam um ensino e uma vigilância religiosa extremamente legalista sobre o povo e, surgiram muitos partidos político-religiosos (escribas*, fariseus, saduceus, herodianos e zelotes) interpretando e fragmentando a sociedade israelita. Isso e muitas outros fatores haviam tornado o povo de Israel ainda que fragmentado, completamente expectante pelo Messias. No entanto esse aspecto agregador do povo que a princípio deveria contribuir para a aclamação de Jesus como esse Messias, na verdade os afastou e trouxe a insurreição contra Ele; os judeus rechaçaram a Jesus e o condenaram como herege.  Os mesmos judeus alegam que as expectativas do Ungido de Deus devem ser confirmadas dentre outras coisas, sobre um rei que recobraria a liberdade e o controle em Israel, construiria o terceiro Templo, reuniria o povo de Israel em sua terra, universalizaria o conhecimento sobre Javé e estabeleceria uma paz mundial, ou seja para eles (judeus) Jesus não cumpriu a expectativa dessas profecias messiânicas, então, Ele não lhes representa o ungido de Deus e ainda o aguardam até hoje.
               O que é bem menos razoável e compreensível para nós Cristãos de hoje, principalmente no Brasil, é a existência crescente de serviços e celebrações religiosas de cunho judaico dentro das igrejas evangélicas de diversas linhas denominacionais. Assistimos o surgimento de agrupamentos de cristãos que subitamente passam a praticar os ritos iniciáticos do judaísmo, tais como a circuncisão, Bar e Bat Mitzvah, passam a guardar o Shabbath, observam preceitos dietéticos e festas religiosas do calendário judaico e outros. Tudo isso depois de terem tido acesso a Palavra de Deus claramente desvendada pelos discípulos e apóstolos de Cristo no texto do Novo Testamento. Os cristãos que se deixam ser conduzidos por uma fé suportada e norteada por preceitos do judaismo, assim como os chamados judeus messiânicos devem atentar de modo improrrogável à exortação austera do apóstolo Paulo na sua epístola aos Gálatas: "Vocês que procuram ser justificados pela Lei, separaram-se de Cristo, caíram da graça".**







 *Os escribas não eram necessariamente um partido, mas possuíam um poder como tal, ao passo que exerciam a autoridade sobre a Lei oral.
**Epístola aos Gálatas. 5:4.

3 comentários:

  1. 8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
    Efésios 2.8

    ResponderExcluir
  2. Para mim, seu melhor texto desde a criação do blog. Parabéns.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Agradeço sua leitura e atenção para com o blog, sua resposta ao texto promove o impulso para buscar melhorá-lo.

      Excluir