sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Você sabe... #5 Os Pais da Igreja


Pintura retratando o bispo Agostinho de Hipona


               A expressão "Pais da Igreja" ou "Pais apostólicos" (em algumas leituras encontraremos a expressão "padres apostólicos) remonta ao Século II de nossa era e é usada com referência aos  cristãos de notória liderança e instrução para a igreja no período que sucedeu ao ministério dos apóstolos que haviam tido contato direto com Cristo. Esses "pais da igreja" em sua primeira geração por sua vez, ou tiveram contato com os apóstolos, ou por ele foram citados, o que só por isso, conferia-lhes autoridade e destaque dentre a comunidade da igreja em celere crescimento. 
               Mas, além disso, o material que eles produziram, o qual temos acesso em boa parte ainda hoje, constitui em uma farta biblioteca de ensinos acerca da teologia cristã em seu desenvolvimento e moldes inicias, e, da compreensão da Palavra de Deus na qual a igreja daquele período era instruída. A primeira geração dos pais apostólicos inicia-se com Clemente de Roma (30-100), de quem se tem o testemunho de outros "pais" apontando-o como colaborador do apóstolo Paulo; Inácio de Antioquia (?-107 ou 110) e Policarpo de Esmirna, que foi aprendiz e possivelmente "consagrado" bispo de Esmirna pelo próprio apóstolo João, o ultimo dos apóstolos a morrer. Mais a frente, outros surgiram e por seu papel e conteúdo teológico escrito também receberam, ou recebem o mesmo título. São alguns deles: Justino, o mártir (100-170); Irineu de Lyon (130-200); Tertuliano de Cartago (150-230); Orígenes, ogrande alegorista (185?/186?-254); Cipriano de Cartago (200-258); Eusébio de Cesaréia (265-339); Jerônimo, autor de tradução da Bíblia para o latim, a Bíblia Vulgata (325-378); João Crisóstomo, o magistral  orador conhecido como "boca de ouro" (344-407), e, Agostinho de Hipona (354-430) o mais influente e estudado dos teólogos até os dias de hoje.
                   A igreja deve em muito aos teólogos da Patrística o desenvolvimento de suas doutrinas centrais e o estabelecimento do que conhecemos como ortodoxia. Foi nesse momento de maturação do credo cristão que muitas heresias e doutrinas sinistras foram lançadas dentro da comunidade cristã. Muitos ensinos prejudiciais que já tinham sido gestados no período apostólico, foram severamente combatidos e varridos do seio da igreja por esses doutores que deram muito de si mesmos por fidelidade a Cristo. As doutrinas fundamentais do cristianismo foram definidas e organizadas em meio a situações de embate e perseguição tanto interna como externa.  A cristologia, a compreensão da pessoa e das naturezas (divina e humana  de Cristo) e sua obra salvífica, a definição do cânon das Escrituras, a compreensão trinitariana de Deus, o estabelecimento de um primeiro Credo que veio a influenciar as modernas confissões de fé e declarações doutrinárias das igrejas, sem listar a extensa pauta de heresias por eles desbaratadas, são algumas das mais destacadas contribuições desses pais apostólicos a igreja de Cristo dos primeiros séculos e que perduram até hoje.
              A riqueza de material produzido por esses mestres pode ainda ser encontrada com relativa facilidade em livrarias e a sua leitura muito pode acrescentar ao nosso entendimento teológico. para os que a podem considerar de difícil entendimento devido a terminologia mais própria àqueles já familiarizados com o estudo da teologia e ao distanciamento temporal de vocabulário, também há uma boa oferta de livros de autores nacionais e estrangeiros que os apresentam e os explicam de maneira mais acessível.


Fonte de datas: ICP/ Instituto Cristão de Pesquisas.

2 comentários:

  1. Caro amigo Rogério, parabéns pelo blog e pelo material aqui disponibilizado. Leitura rica e esclarecedora.

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